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Desporto: O desenvolvimento psíquico no crescimento de um jovem atleta

Desporto: A prática desportiva deve proporcionar benefícios as crianças e jovens a todos os níveis, não só físico, mas também psicossocial positivo.

Cada vez mais os pais apostam nas mais variadas atividades extracurriculares para os seus filhos, desde a música, dança e desporto. Os progenitores reconhecem os benefícios da prática destas atividades, sendo, provavelmente, o desporto, a mais procurada, pois existe a crença generalizada de que o desporto faz bem à saúde.

Para além dos benefícios ao nível físico, os pais, esperam que os seus filhos desenvolvam as capacidades psicomotoras, psicossociais e cognitivas essenciais ao crescimento harmonioso. Mas será mesmo assim? O desporto trará só benefícios? Já existem vários investigadores, nesta área, a questionarem sobre se o desporto só traz aspetos positivos no desenvolvimento da criança.

Qual o impacto e os benefícios do desporto no desenvolvimento das nossas crianças/jovens? Estarão elas preparadas para lidar com todos os sentimentos por ele despoletados? O desporto infantil/juvenil traz benefícios quer ao nível da saúde física – como prevenção da obesidade e doenças cardiovasculares; o fortalecimento dos músculos, ossos e articulações; e aumento da massa muscular -, quer ao nível psicossocial – a autodisciplina, o aumento da autoestima, porque ajuda a criança a desenvolver uma melhor imagem de si própria; o controlo e redução da ansiedade, a impulsividade e a aprender a lidar com as diferentes emoções que vivencia; a adaptar os seus comportamentos, desenvolvendo os adequados e bloqueando os indesejados; o aumento da capacidade de concentração, o que implica um melhor aproveitamento escolar; o trabalho em equipa, e o desenvolvimento das competências de liderança e cooperação, o desenvolvimento entre os seus pares, de diferentes etnias, religiões ou classes sociais, dando à criança a sensação de pertença a um grupo; e a aquisição de valores e normas de conduta social.

Aprender a lidar com a derrota

As nossas crianças sabem lidar com a frustração de uma derrota, com a competitividade, stresse e a constante avaliação e expectativas dos outros?

A ênfase excessiva nas vitórias e nos vencedores leva a uma forte valorização destas, por parte dos mais diversos intervenientes no desporto, nomeadamente os dirigentes, os treinadores e até os próprios pais, levando, por vezes, a uma “instrumentalização” da criança, tornando-a num meio para atingir um único fim. O foco excessivo na vitória implica, por norma, a perda da essência do desporto, que é o desenvolvimento positivo das competências físicas, sociais e emocionais.

Obviamente que as vitórias e conquistas são importantes na vida de uma criança, para que possa experienciar as emoções e sentimentos associados a uma experiência agradável, contudo, quando uma sai vencedora, haverá sempre uma outra vencida.

Mais do que o resultado obtido na competição, é importante dar o retorno ao atleta sobre o seu rendimento e a evolução ao longo do seu percurso desportivo, orientando-o sobre o caminho a percorrer. Nem todos os atletas podem ser um Cristiano Ronaldo, mas todos podem esforçar-se para ser melhores. A competição deverá servir sempre como um meio de comparação entre o passado e o presente, mas de si próprio, e não focada numa avaliação comparativa entre pares.

É importante quebrar, no desporto, as ideias preconcebidas de que os vencedores são os que têm “sucesso” imediato e que são mais competentes e melhores do que os que perdem. O sucesso é algo muito subjetivo, pois só pode ser definido pelo próprio e mais ninguém.

A importância do equilíbrio no desporto

É urgente que os intervenientes no desporto compreendam que os objetivos devem passar pelo desenvolvimento da criança e do jovem, como um ser bem estruturado, onde o equilíbrio seja o ponto dominante e os níveis físicos, cognitivos e morais sejam harmoniosos e contribuam para uma integração social plena e integrativa. Teremos tanto melhores adultos e atletas, quanto melhor preparemos estas crianças/jovens de forma global e harmoniosa.

O desporto deve ser benéfico desde cedo e devem os nossos dirigentes desportivos pensarem para além das vitórias, proporcionando às crianças e jovens, espaço para o seu desenvolvimento emocional, físico e psicológico, por forma a crescerem saudáveis, quer na vida desportiva, quer pessoal.

Somos um país exportador de talento futebolístico, reconhecidos pela competência técnico-tática dos nossos atletas, falta-nos fortalecer as capacidades cognitivas e psíquicas dos nossos jovens, por forma a criarmos Homens saudáveis, confiantes e física e mentalmente preparados para os desafios da vida, seja ela desportiva ou profissional.

Texto Elisabete Andrade, Dra. Ordem dos Psicólogos Nº 11100, licenciada em Psicologia Clínica, mestrado em Neuropsicologia Clínica – ECO

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